
CASA PADRE PALMEIRA (ANTIGO GINÁSIO DE CONQUISTA)
Popularmente conhecido como ‘Ginásio do Padre’, o prédio do Velho Ginásio de Conquista está localizado na Praça Sá Barreto. Segundo depoimento do Prof. Ruy Medeiros (2003), “A construção do edifício ocorreu a partir da década de 1920, por iniciativa da Igreja Católica, com subscrição pública. Construído em parte, a Prefeitura Municipal o ampliou e ali manteve estabelecimento de ensino. Porém, em 1938, a Prefeitura Municipal o devolveu à Igreja Matriz Nossa Senhora das Vitórias, mediante escritura de doação que se encontra registrada a fls. 270 do livro 3-H, do cartório do 1º ofício do Registro de Imóveis e Hipotecas da Comarca de Vitória da Conquista. No documento, o edifício foi descrito como “prédio sito à Praça Dr. Sá Barreto, nesta cidade e primeiro distrito de Conquista, contendo vinte e cinco (25) janelas de frente, duas portas (02) e dois portões, inclusive pavilhão, muro de frente, com paredes de adobes, coberto de telhas, atijolado o chão, com dois salões assoalhos, forrado, murado, edificado em terreno foreiro da mesma Igreja Matriz de Nossa Senhora das Vitórias da Conquista, cercada pelo fundo com cercas de arame nos três lados, separando-os dos vizinhos que são terrenos de Dr. Acrescência Antunes da Silveira, terrenos ocupados pelo Município e terreno da mesma Igreja dados em arrendamento a terceiros”.
Segundo o autor, após abrigar escola municipal e temporariamente o Educandário Sertanejo, propriedade do poeta Euclides Dantas. Nas décadas de 1920 e 1930, a Igreja Matriz de N. S. das Vitórias o doou ao Padre Luiz Soares Palmeira para que ali o referido religioso instalasse um ginásio (escola secundária). No mesmo ano, o Pe. Palmeira transferiu seu ginásio da Cidade de Caetité para o prédio mencionado da Praça Sá Barreto, passando a funcionar aí o primeiro ginásio da região. O Padre Palmeira construiu, em anexo, sua residência, que seria demolida, já deteriorada, na década de 1970. O Ginásio de Conquista adquiriu grande nome e muitos conquistenses, que depois seguiriam diversas profissões, aí estudaram. Em razão disso, a comunidade local tem grande carinho pela casa por onde passaram tantos alunos e professores. Posteriormente, nos anos 60, o prédio foi transferido para a Diocese que aí manteve o Colégio Diocesano até a construção de outro prédio na mesma praça, para onde transferiu suas atividades. Mas, o velho prédio continuou servindo à educação e cultura. Aí funcionou, nos anos 70, a Faculdade de Formação de Professores, embrião da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, e o Museu Padre Palmeira, ligado ao Arquivo Municipal. Doravante, o prédio encontra-se de posse da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) em regime de comodato celebrado com a Diocese de Vitória da Conquista, para abrigar, justamente, o Museu Pedagógico (MP).
Caracterização e importância
O professor Ruy Medeiros assim descreve o prédio: construído de adobes (barro/argila cru), de paredes largas (tijolos, assentados a tição, isto é, de forma a tornar grossas as paredes), conserva o padrão de arquitetura de velhos prédios de colégios, com salas amplas, grande salão, janelas altas e largas. Exceto quanto ao telhado, piso e anexo residencial, o prédio conserva-se grandemente como era.
O telhado anterior, feito de telhas vãs, foi substituído por telhado de telhas de amianto e rebaixado. O piso que era de placa de cerâmica branca cozida foi substituído por piso de cimento. A casa, que servia de residência anexa, sofreu deterioração e foi demolida. Mas seu valor arquitetônico fica muito aquém do grande valor histórico. Pessoas de vários lugares ainda o procuram para mostrar a filhos e netos, orgulhosamente, o local onde estudaram. Afinal, era o único ginásio num grande raio de extensão e era privilégio estudar aí.
Fonte: Depoimento do professor Ruy Medeiros (MP-DCSA/UESB) para o projeto de implementação do “Museu Pedagógico da UESB”.
Clique aqui pra ver o estado da casa Padre Palmeira antes de ser assumido pela equipe do Museu Pedagógico (2003).
Padre Luiz Soares Palmeira

Luiz Soares Palmeira, conhecido como Padre Palmeira, está presente na memória de Vitória da Conquista e região graças à sua grande contribuição na educação, na cultura e na política. Foi um sacerdote respeitado, um educador emérito e um político influente.
Nasceu no Rio de Janeiro e foi criado em Alagoas. Após o ingresso no seminário, mudou-se para Caetité, município do interior baiano, onde recebeu as “ordens do então Bispo Dom Juvêncio Brito. Em 1935, no município de Caetité fundou o Colégio ou Ginásio do Padre Palmeira, que logo foi transferido para Vitória da Conquista.
A chegada do Ginásio do Padre Palmeira em Vitória da Conquista, no ano de 1939, é um marco histórico para a cidade e a região. Grandes figuras participaram da vida do Ginásio: poetas, médicos, advogados, políticos e professores renomados. Nesse Ginásio formaram-se os professores que consolidaram as principais escolas públicas e privadas do município. Foi, portanto, um dos principais núcleos culturais do interior do Estado da Bahia.
Segundo depoimento de alguns dos seus ex-alunos, o Padre Palmeira era um homem rigoroso, rígido, respeitado, temido, admirado. Sua inteligência, vivacidade e presença de espírito ainda hoje é comentada por quem o conheceu. Os relatos dizem que ele versava sobre variados temas e falava de assuntos fundamentais com sabedoria e profundidade. Dono de uma excelente retórica, impressionava o público com seus discursos.
Em 1962, o Padre Palmeira exerceu o cargo de Deputado Estadual e representou a região na Assembleia Legislativa da Bahia. Em seguida, assumiu o cargo de Secretário de Educação do governo Lomanto Junior (1962 a 1966), período em que viajou por todo o Estado para acompanhar as escolas públicas, particulares e os ginásios estaduais. Matérias divulgadas pelos jornais que circulavam na época demonstram sua preocupação com o ensino no município.
Padre Palmeira, figura respeitada e benquista por grande parte dos seus contemporâneos, marcou a história da região com o Ginásio de Conquista, que foi o centro disseminador de conhecimento e formador da intelectualidade no sertão baiano.
GALERIA

