Editorial - Edição 09

Pós-Graduação

Pós-Graduação promove qualificação em Saúde no Sudoeste do Estado

por Mariana Lacerda

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Natural de Ipiaú, o enfermeiro Icaro Ribeiro, graduado no campus de Jequié, a pouco mais de 50 km da sua cidade natal, teve que se deslocar até a capital do Estado para realizar o seu Mestrado. Realidade comum na região Sudoeste da Bahia que vem sendo transformada pela Uesb. “A regionalização de programas de pós-graduação nos permite optar por nos qualificar mais perto das nossas residências e das nossas famílias tornando o processo menos árduo. Acredito que essa é uma necessidade antiga de descentralizar a formação de mestres e doutores dos grandes centros urbanos”, conta.

Para Ribeiro, o retorno para a região de origem foi possível com a implantação do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e Saúde (PPGES), no qual cursa atualmente o Doutorado, com previsão de conclusão no fim deste ano. Ele ressalta que “a formação interiorizada deve tentar manter os recursos formados nas próprias regiões contribuindo para o seu desenvolvimento” e que não foi somente a localização do Programa que pesou para sua escolha: “O corpo docente do PPGES é bem qualificado e apto a formar doutores de excelência para o exercício profissional em qualquer região do país”.

Com a grande demanda de profissionais da assistência à saúde na região, ampliou-se a busca pela formação voltada ao ensino e à pesquisa, com estudos mais aprofundados – características da pós-graduação stricto sensu. Foi com esse anseio que os docentes da área de Saúde do campus de Jequié se reuniram em torno do projeto que resultou no PPGES. A proposta para o Mestrado Acadêmico da área foi elaborada em 2008 e aprovada com conceito 3 pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), levando à sua implantação no ano seguinte, com o primeiro processo seletivo. Durante a avaliação trienal de 2014, o Programa obteve conceito 4, o que permitiu a implantação do Doutorado.

A partir de então, as ambições de qualificação se desvincularam da necessidade de que os profissionais migrassem para outras regiões e estados. Segundo a atual coordenadora do PPGES, professora Adriana Nery, o Programa tem buscado essa consolidação como referência. “Os docentes e discentes não têm medido esforços no sentido de melhor qualificar suas publicações e internacionalizar os resultados de nossos estudos. Com essa ação coletiva esperamos alcançar o conceito 5 na próxima avaliação”, sinaliza a professora.

Ela pondera que, ao mesmo tempo em que as demandas regionais ganharam destaque, a atenção às carências nacionais têm contribuído para o desenvolvimento a nível local. A expansão científica e tecnológica surge como consequência de todo esse processo: “O Programa tem uma perspectiva interdisciplinar, teórico-epistemológica e de análise crítico-reflexiva, para o desenvolvimento de competência técnica e ética, capaz de produzir conhecimentos a guisa de assistência à saúde de forma contextual, sistêmica e multidimensional da população local e regional”.

Com quase uma década de atuação, o Programa formou 177 mestres e tem a previsão de certificar a primeira turma de doutores neste ano. Os egressos têm se destacado pela aprovação em concursos de docentes de diversas instituições do país, ou mesmo dando continuidade aos estudos com o ingresso em programas de Doutorado.

De toda forma, o reflexo dessa atuação é percebido com a boa aceitação das demais instituições acadêmicas e de saúde. É o que ilustra a egressa Gleicielle Andrade. “A importância do Programa para a região se dá tanto em relação à qualificação profissional, quanto pelas ações que esses profissionais vão desempenhar, o que acaba refletindo na sociedade. As próprias pesquisas realizadas durante o curso podem se traduzir em benefícios para a comunidade, conclui.