Editorial - Edição 09

Pós-Graduação

Mestrado em Geografia é pioneiro no interior da Bahia

por Patrick Moraes

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Planejamento urbano, formas de crescimento da cidade, relações dentro do espaço geográfico, utilização dos recursos naturais. Essas e muitas outras problemáticas vêm sendo estudadas pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia desde 2016, quando foi implantado no campus da Uesb em Vitória da Conquista.

Com área de concentração em “Produção do Espaço Geográfico”, o Programa promove pesquisas em duas linhas: “Dinâmicas da Natureza e do Território” e “Produção dos Espaços Urbanos e Rurais”. Atualmente, conta com 42 alunos, distribuídos em três turmas.

Ao lado da Universidade Estadual de Feira de Santana, é pioneiro na área de Geografia quando o assunto é pós-graduação stricto sensu no interior da Bahia. “Em termos de inserção regional, o Mestrado é extremamente importante não só para a área de Geografia, como também para áreas interdisciplinares. O Mestrado tem a capacidade de trazer novas perspectivas para a sociedade”, explica o professor Mário Rubem Costa Santana, coordenador do Programa.

A UESB foi a primeira instituição do interior da Bahia a oferecer mestrado na área de Geografia.

Apesar de recente, já é possível visualizar avanços significativos conquistados pelo Programa, como avalia a professora Ana Emília Ferraz, uma das docentes criadoras do projeto de implantação. “Temos um aumento tanto quantitativo, como qualitativo nesse processo. A reestruturação dos grupos de pesquisa vinculados ao Departamento de Geografia, a ampliação de debates e de discussões, o crescimento de publicações, tudo isso é notável”, aponta.

O Programa também é responsável pela criação da Revista Geopauta, periódico que difunde pesquisas na área da Geografia e que já conta com três números publicados. Além disso, busca contribuir para a melhoria da graduação na Universidade, por meio do estímulo à pesquisa e da troca de novos conhecimentos.

Além das fronteiras acadêmicas e regionais

O rompimento de fronteiras não acontece apenas da Universidade com a comunidade regional. Algumas pesquisas vão além da região Sudoeste e alcançam outros espaços geográficos dentro da Bahia e até em outros estados, sobretudo pela presença de estudantes de outras regiões no Programa. “Temos implementado pesquisas em várias áreas, tanto da nossa região, como de regiões mais distantes, porque temos alunos de perto, mas temos alunos também do Recôncavo Baiano, de Sergipe e de outros locais. Então, o espectro do curso tem se estendido para além do que tínhamos pensado, que seria de atender uma comunidade mais regional”, conta a professora Ana Emília.

O desenvolvimento dessas pesquisas resulta em debates de maior profundidade e, consequentemente, em novas respostas para problemáticas do nosso cotidiano. É o caso de Flávia Rocha, aluna da primeira turma do Mestrado, que desenvolveu, ao longo desses dois anos, uma pesquisa sobre as novas configurações do espaço urbano em Vitória da Conquista com base no Programa Minha Casa Minha Vida.

“A produção individual, a dissertação, nos leva a desenvolver uma autonomia enquanto agentes na produção do conhecimento. Tenho plena convicção de que as pesquisas desenvolvidas no Programa contribuem positivamente para esta região do estado e para outras. A inquietude deve imperar onde essas pesquisas alcançarem, gerando um sentimento de motivação e transformação”, analisa Rocha.

Integrando memória social e relações socioambientais em sua pesquisa, Débora Oliveira também fez parte da primeira turma e integrou o time das primeiras defesas de dissertação do Programa. Para ela, a aproximação da produção científica com os
conhecimentos construídos socialmente na bacia do Rio Coisa Boa, região da Chapada Diamantina (BA), foi parte importante desse processo. “Buscamos conhecer a realidade em questão considerando a perspectiva dos sujeitos sociais que a vivenciam
cotidianamente, valorizando os saberes desses sujeitos na tentativa de aproximar os conhecimentos produzidos na Universidade daqueles construídos e acumulados na experiência de vida dessas pessoas”, pontua.