Editorial - Edição 02

Extensão

Programa de Intercâmbio da Uesb: para além dos limites da Universidade

por Julia Bomfim

Intercâmbio

Visitar outros estados, outros países, relacionar-se com pessoas de culturas diferentes, aprender um novo idioma… O intercâmbio é mais uma possibilidade que o aluno tem de conhecer a sua área de atuação, associando as experiências adquiridas na graduação com o conhecimento que outras instituições podem lhe oferecer, em uma troca capaz de fazer o discente evoluir pessoal e profissionalmente.

Nesse sentido, a Uesb instituiu o Programa de Intercâmbio, que tem como propósito maior expandir as atividades da Universidade para além de seus limites geográficos. O Programa, vinculado à Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (Proex), desenvolve e coordena as políticas de intercâmbio acadêmico nacional e internacional dentro da Uesb, ou seja, promove a articulação, elaboração e acompanhamento de projetos e convênios de cooperação científica, técnica e cultural, com instituições estrangeiras e brasileiras.

Por meio do Programa de Intercâmbio, a Uesb expande suas atividades para além de seus limites geográficos.

O discente que tem interesse em participar do Intercâmbio precisa, primeiramente, estar ciente do que pretende obter com esta experiência e a importância desta vivência para ele e para a instituição que frequenta. É interessante que o estudante esteja engajado em algumas atividades de iniciação científica e projetos de extensão, percebendo as possibilidades que a mobilidade acadêmica apresenta.

Para tornar-se um intercambista é preciso seguir uma série de critérios que vão desde estar com passaporte em mãos até a elaboração de um Plano de Trabalho Detalhado, em que deve constar as atividades previstas pelo aluno durante o intercâmbio, assim como as atividades para serem desenvolvidas na Universidade após a experiência. Dentre outros critérios, Daniel Cruz, assessor do Programa de Intercâmbio da Universidade, afirma que a escolha da instituição também é importante. “Quando esse estudante vai para outro país e regressa, ele traz uma série de aspectos que talvez a Uesb não tenha ainda ou percebe que a Universidade tem muito a oferecer também para outras instituições. Assim, ele deve, primeiramente, fazer uma pesquisa de qual universidade ir, já com esse objetivo de crescer profissionalmente, aprender uma outra língua, aprender o que outra universidade pode estar trazendo para ele de mais específico para seu curso”.

O Programa de Intercâmbio da Uesb está ligado a alguns convênios estabelecidos com países da América Latina, Caribe e Europa. Esses consórcios de cooperação acadêmico-científica buscam intermediar o processo de mobilidade acadêmica entre as instituições, firmando acordos que facilitem a divulgação de informações e o apoio para um melhor acesso dos estudantes à universidade escolhida. Tayrone Felix, coordenador do Programa de Intercâmbio, destaca a relevância desses acordos. “É importante ressaltar que a política de intercâmbio veio para ficar na Universidade. Não tem como a Instituição recuar nesse aspecto. Que a cobrança seja do MEC, da Capes, do mundo inteiro, para que as instituições busquem parcerias, trabalhem em rede, troquem experiências de pesquisa e de gestão em diversas áreas”.

Convênios

Atualmente, a Uesb está ligada a alguns convênios estabelecidos com a Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem), a União das Universidades da América Latina e do Caribe (Udual) e com a Universidade de Oviedo, na Espanha, e a Universidade do Porto, em Portugal.

Felipe Lemos, estudante de Odontologia, embarcou rumo a Mendoza, na Argentina, para estudar seis meses na Universidade Nacional de Cuyo e explica como essa mobilidade acadêmica pôde acrescentar a sua vida. “A experiência que a mobilidade acadêmica me proporcionou ultrapassa os limites do conhecimento acadêmico. Amadureci meu lado crítico, político e social em patamares que jamais pensei que pudesse crescer”.

Para o estudante, o caminho percorrido durante o intercâmbio mostrou novas possibilidades dentro da sua profissão. “As atividades extracurriculares, incluindo projetos, congressos, saídas a terreno, me mostraram ainda mais a importância de se trabalhar para o social, promovendo uma ampliação da visão política e cidadã, expandindo horizontes para fora da sala de aula e do ambiente clínico, no meu caso. Sou imensamente grato por tudo que vivi, pela paciência e companheirismo dos meus colegas e amigos que ali fiz, pelas dificuldades que encontrei e, principalmente, pelos lugares inesquecíveis que passe”, conta Felipe Lemos.

Daiane Viana, aluna do curso de Administração, estudou durante quatro meses na Universidade de Santo Tomás, em Bogotá, na Colômbia. Para ela, o valor do Intercâmbio foi inestimável, devido aos novos conhecimentos e nova visão de mundo adquirida. “Na vida acadêmica também tive grandes contribuições, pois hoje falo outro idioma e o aluno que tem essa oportunidade se destaca entre os demais pela coragem e determinação. Ter a oportunidade de conhecer pessoas que carregam em sua bagagem culturas diferentes, idiomas diversos, religiões distintas, costumes e culinárias peculiares nos fazem olhar o mundo com novos olhos.”, afirma Viana.

O intercâmbio é uma possibilidade para conhecer melhor o mercado de trabalho para além do Brasil, pensando quais as possibilidades de atuação o estudante pode ter a partir das pesquisas estudadas no exterior. Para Daniel Cruz, o estudante retorna com um senso de empoderamento. “Eles percebem que foram para outro país, – e não é só a questão de sair de casa, já que outros estudantes são de outras localidades e moram em Vitória da Conquista, Itapetinga ou Jequié – e mesmo não conhecendo direito a cultura, quando eles percebem que sobreviveram àquele lugar, fizeram amizades e conseguiram assimilar tudo ali, eles pensam ‘O mundo é meu’”, conclui.