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Extensão potencializa transformação social da universidade pública

Extensão

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Uma pessoa nunca mais será a mesma depois do contato com a universidade pública. Ao ingressar nesse universo, o estudante se depara com inúmeras possibilidades de exercício da cidadania. Além disso, a extensão universitária oferece condições de desenvolvimento social para toda a comunidade, principalmente para os grupos mais vulneráveis.

As pessoas da comunidade, independente do grau de escolaridade, participam e contribuem com a extensão, logo, o mundo da academia se torna menos excludente.

Com essa perspectiva, o Núcleo de Assessoria Jurídica Alternativa da Uesb (Naja) atuou como projeto de extensão do curso de Direito entre os anos de 2015 e 2018, rompendo com a visão extensionista tradicional da área. No Naja, o assessorado era protagonista na relação de conflito e participava da construção do conhecimento jurídico. Seu vínculo com o Núcleo ia além do momento processual, sendo precedido pela conscientização e formação político-social, e continuando, após o processo, com o acompanhamento da situação.

A contribuição efetiva para a população é sentida pelos alunos que participam do Núcleo. O formando do curso, Gilson Santiago, conta que, “diferentemente dos escritórios-modelo, o Naja não visava a simples prestação do serviço jurídico processual, mas a compreensão e a formação do sujeito sobre aquilo que engendra o conflito e as possibilidades de superação”.

A visão ampla se estendia também para a comunidade, pois, como explica Gilson, o Naja se baseava na metodologia popular de Paulo Freire. Com a compreensão de que não há quem saiba mais que outro, o assessorado que decidia as ações, por meio das ferramentas explicadas e disponibilizadas.

Por fim, as pessoas atendidas pelo Naja se tornavam multiplicadoras e retornavam à comunidade com o conhecimento especializado “para que pudessem compartilhar com outras pessoas. Trata-se, assim, de um pensar coletivo, em que o conhecimento jurídico não se torna distante, mas transformador, e constrói pontes entre sujeitos”, define o estudante.

Resgate de identidade e pertencimento

Em Jequié, a construção coletiva do conhecimento se alia à afirmação de identidade de povos e comunidades tradicionais. Essas são as diretrizes do Órgão de Educação e Relações Étnicas (Odeere), que integra ações de ensino, pesquisa e também de extensão, desde 2005.

A busca por informações sobre esse público levou Ariadini Dócio ao Odeere. A assistente social do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) de Jequié encontrou, em um curso de extensão sobre comunidades quilombolas do Órgão, a oportunidade de conhecer a realidade de muitas das pessoas assistidas pelo serviço.

“Tanto a política de assistência social como o Odeere lutam contra um inimigo invisível poderoso: a desigualdade social e econômica que é aprofundada com as questões raciais ou culturais”, pontua Ariadini. Ela lembra que essa realidade tem raízes históricas e, na atualidade, muitas pessoas desconhecem sua própria história e atribuem a situação de vulnerabilidade social à fatalidade do destino.

Povos e Comunidades Tradicionais

Em 2017, foi instituída no Brasil a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, com a proposta de fortalecer o reconhecimento e a preservação de outras formas de organização social.

A Política define que esses são grupos culturalmente diferenciados, que se reconhecem como tais, ocupando territórios e utilizando saberes populares transmitidos pela tradição. São exemplos de povos e comunidades tradicionais: ciganos, indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais de matriz africana ou de terreiro, ribeirinhos e caboclos.

Nesse cenário, as ações extensionistas do Odeere possibilitam a compreensão da herança afro-brasileira e como se deu o processo de apagamento do valor do índio e do negro na construção do país. Para o coordenador institucional do Órgão, Natalino Perovano Filho, “quando se busca o empoderamento afro-brasileiro ou indígena, está reforçando a luta pela consolidação das identidades, ao passo que se trabalha para a valorização dessas culturas e torna evidente a necessidade de se identificar, estudar e dialogar sobre os legados africano e indígena na nossa sociedade”.

O calendário extensionista do Odeere inclui, além dos cursos, o Projeto Erê –  que auxilia crianças e adolescentes no conhecimento das culturas africanas e afro-brasileiras – e dois eventos: o Encontro de Combate às Discriminações Étnicas e a Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira. Todas elas são iniciativas que interferem na realidade das pessoas, com o poder de transformá-la e, ainda, de formar agentes transformadores de outras realidades.

Foi assim que Ariadini chegou ao Programa de Pós-Graduação em Relações Étnicas e Contemporaneidade da Uesb. “Não chegaria ao mestrado sem ter participado da extensão. Outro ponto é que as pessoas da comunidade, independente do grau de escolaridade, participam e contribuem com a extensão, logo, o mundo da academia se torna menos excludente e um lugar que gostaria de ver o meu filho fazendo parte”, define a assistente social.

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