Editorial - Edição 11

Pós-Graduação

Mestrado impulsiona protagonismo de grupos étnicos

por Patrick Moraes

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Entendendo a importância de promover o acesso à informação e formação relativas à temática das relações étnicas, a Uesb deu mais um passo nos trabalhos relacionados a essa área em 2014. Foi nesse ano que um grupo de professores do campus de Jequié aprovou, junto à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Programa de Pós-Graduação em Relações Étnicas e Contemporaneidade.

O Mestrado em Relações Étnicas e Contemporaneidade forma profissionais para atuar no ensino e na pesquisa das relações étnicas e na articulação com questões de gênero e sexualidade.

A proposta nasceu a partir dos trabalhos desenvolvidos pelo Órgão de Educação e Relações Étnicas (Odeere), implantado, no campus de Jequié, em 2005. O órgão é reconhecido como um Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab), responsável por desenvolver estudos e ações interdisciplinares de ensino, pesquisa e extensão nas temáticas voltadas para questões étnicas, raciais e de diversidade de gênero e sexual.

O projeto de criação do Programa foi articulado pelos professores Marise de Santana, Benedito Gonçalves Eugênio e Marcos Lopes de Souza, ambos da Uesb, além do professor Edson Dias Ferreira, da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). A iniciativa contou ainda com a consultoria externa da professora Teresinha Fróes Burnham, da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Hoje, com três turmas de Mestrado formadas, já são quase 40 mestres e mestras capacitados para atuação nos mais diversos espaços sociais e educacionais. O Programa funciona com duas linhas de pesquisa: “Etnicidade, memória e educação” e “Etnias, gênero e diversidade sexual”.

A formação é aberta para qualquer profissional graduado que tenha interesse em desenvolver pesquisas alinhadas com as propostas trabalhadas no Programa. “Esta diversidade na formação inicial dos/as ingressantes contribui para que se possam ampliar as fronteiras do conhecimento, integrar profissionais de diferentes áreas no campo dos debates das relações étnicas e suas interfaces e, com isso, favorecer para que essas discussões se expandam”, explicou o professor Marcos Lopes, atual coordenador do Programa.

Outra característica do Mestrado é o trabalho com a interdisciplinaridade, visto que o Programa está vinculado à área básica das Sociais e Humanidades. Atualmente, o quadro docente é formado por pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, apresentando, como eixo de articulação, as relações étnicas, mas integrando categorias como educação, memória, gênero, sexualidade, família, dentre outras.

O impacto das pesquisas para além da sala de aula

Capas
Em 2016, o Programa lançou o primeiro volume da Revista Odeere, publicação semestral que divulga trabalhos inéditos abordando questões sobre etnicidade, relações étnicas, gênero e diversidade sexual em diferentes tempos e espaços. Hoje, já são cinco publicações disponíveis.

Além de formar profissionais para atuar tanto no ensino como na pesquisa das relações étnicas e na articulação com questões de gênero e sexualidade, o Programa possibilita a construção de políticas públicas importantes para a sociedade. “Os estudos desenvolvidos no Programa se configuram como subsídios para a construção de políticas públicas que garantam a ampliação e consolidação das ações afirmativas atendendo a grupos étnicos historicamente marginalizados, favorecendo a equidade de gênero e o reconhecimento da diversidade de gênero e sexual e auxiliando na diminuição dos processos discriminatórios, contestando o etnocentrismo, o racismo, o sexismo e a lesbohomobitransfobia”, relatou Lopes.

Entre esses estudos, é possível citar a dissertação de Wesley Santos, historiador e mestre em Relações Étnicas e Contemporaneidade pelo Programa. Sua pesquisa foi aplicada na comunidade de Nova Esperança, situada na zona rural do município de Wenceslau Guimarães e teve como foco a questão do reconhecimento étnico. Segundo Santos, a proposta era analisar como as crianças quilombolas dessa comunidade concebem e se reconhecem enquanto quilombolas, além de entender que tipo de escola/educação os membros de lá querem para as futuras gerações.

O historiador destacou ainda o intenso diálogo com as questões sociais e étnicas promovido pelo Programa, o que reforça a necessidade de colocar a diversidade como protagonista no espaço acadêmico e social. “O mestrado contribuiu, significativamente, para o meu crescimento enquanto profissional da educação, pesquisador e, sobretudo, como ser humano. Ele me permitiu ver e ler o mundo com outras lentes, e compreender que a beleza reside na diversidade e na singularidade de cada um”, declarou.