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Trabalho sobre qualidade do leite tem repercussão internacional

Pesquisa

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É comum o uso de medicamento veterinário antiparasita, antibiótico, entre outros, no auxílio do tratamento ou prevenção de doenças em animais. No entanto, o uso dessas medicações em animais produtores de alimentos pode deixar resíduos, que por sua vez, podem causar efeitos adversos à saúde humana.  Nesse sentido, o professor Sérgio Augusto de Albuquerque Fernandes, vinculado ao Departamento de Tecnologia Rural e Animal (DTRA), campus Juvino Oliveira, em Itapetinga, desenvolve trabalhos na detecção de resíduos de medicamentos veterinários no leite.

“Há algum tempo, fizemos um trabalho com resíduos de antibióticos e, agora, resolvemos trabalhar com resíduos de outro tipo de medicamento veterinário que é o antiemético, cujo principio químico que trabalhamos é a ivermectina, muito usado na produção animal de bovino”, explica Fernandes.

Pesquisa da Uesb sobre qualidade de leite recebe prêmio de melhor trabalho da área.

A ivermectina é um medicamento utilizado no tratamento de infecções causadas por endo e ectoparasitas. O uso dessa medicação em bovinos lactantes, quando para o consumo humano, é contraindicado pelo Ministério da Agricultura, pois em alguns casos, essa medicação é usada em tratamentos de seres humanos. Toda via, ao ser exposto de forma continuada, o organismo humano pode criar resistência à intervenção terapêutica com essa medicação, contribuindo, dessa forma, para um grave problema de saúde pública, que são as superbactérias.

Assim, métodos de triagem para a investigação da presença de ivermectina no leite são imprescindíveis. Até o memento, os órgãos reguladores da qualidade de leite no Brasil utilizam, obrigatoriamente, a técnica de Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (Clae) para avaliar a presença de ivermetina no leite. Fernandes esclarece que essa técnica “usa reagentes químicos, que é um pouco mais demorada e pode gerar alguns problemas”.

Desse modo, de acordo com o professor, foi identificada, após levantamento bibliográfico extenso, “a necessidade de desenvolver um teste de triagem que fosse rápido, seguro e que utilizasse poucos reagentes ou nenhum reagente químico, ou seja, do ponto de visto ambiental, fosse mais seguro, que não gerasse resíduos e que trouxesse uma condição de trabalho mais salubre”, destaca.

Com esse objetivo, a Universidade adquiriu o espectrofotômetro e deu inicio à pesquisa intitulada ‘uso da espectroscopia no infravermelho por transformada de Fourier com refletância total atenuada (FTIR-ATR) como teste de triagem de ivermectina em leite’. “A gente viu que esse equipamento, o espectrofotômetro, ou transformada de Fourier, é uma técnica extremamente utilizada hoje na indústria de alimentos. Então, a gente criou o projeto e avaliou o desenvolvimento de um teste de triagem da presença de ivermectina em leite com essa tecnologia, utilizando o equipamento”, informa Fernandes.

IMG-20170910-WA0008Valdirene Santana recebendo o prêmio de melhor trabalho científico na área de Tecnologias inovadoras e de precisão no agronegócio. A premiação aconteceu durante o 27° Congresso Brasileiro de Zootecnia e 12º Congresso Internacional de Zootecnia, organizados e coordenados pela Zootec e a Associação Brasileira de Zootecnistas, que aconteceram no último mês de março.

Essa pesquisa fez parte do trabalho de mestrado desenvolvido por Valdirene Santana, que foi aluna do Programa de Pós-graduação em Engenharia e Ciência de Alimentos da Uesb. Em razão disso, a então pós-graduanda, atuou diretamente em todas as etapas da pesquisa, desde o levantamento bibliográfico, passando pela coleta de material em campo, preparo de amostras, análises de laboratório e análise de dados, até ser finalizado com desenvolvimento exclusivo do teste de triagem de ivermectina em leite.

Santana salienta que a técnica com espectroscopia é rápida, segura e sustentável. “Ao apresentarmos o novo teste de triagem de ivermectina em leite, associamos as duas técnicas, que se tornam complementares. Dessa forma, podemos ampliar o número de amostras de leite analisadas que seguirão o roteiro do teste de triagem. Depois, as amostras positivas seguem para confirmação e classificação”. Santana também destaca que o desenvolvimento de testes de triagem de resíduos de medicamentos de uso veterinário é estudado em todo o mundo, o que reforça a importância do trabalho, principalmente, por ser pioneiro.

Como reconhecimento, a pesquisa foi premiada como melhor trabalho científico na área de Tecnologias inovadoras e de precisão no agronegócio, durante a realização do 27° Congresso Brasileiro de Zootecnia e 12º Congresso Internacional de Zootecnia, organizados e coordenados pela Zootec e a Associação Brasileira de Zootecnistas, realizado no último mês de março.

Para Santana “o reconhecimento do trabalho por meio da premiação demonstrou a importância dos resultados da pesquisa para o controle da qualidade do leite no que diz respeito à presença de Ivermectina no líquido”. A pesquisadora destaca ainda a importância de ter participado da pesquisa para o seu aprimoramento profissional. “A atuação na pesquisa contribuiu para o melhoramento da minha capacidade profissional, uma vez que agregou conhecimento técnico-científico relacionado à minha área de atuação enquanto técnica em alimentos e laticínios”, comenta.

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