Projetos desenvolvidos na Iniciação Científica

2024-2025

Beatriz Almeida Lima

Título: A agência das mulheres na economia medieval: o trabalho feminino nos centros urbanos.

Resumo: Neste trabalho, busca-se, a partir da Teoria da Reprodução Social, investigar a agência das mulheres na economia medieval, de modo a localizar a participação direta no trabalho produtivo na cidade, considerando as determinações socioeconômicas e ideológicas. Nesta perspectiva, o estudo está balizado pela teoria social marxista e tem quatro categorias como referenciais imprescindíveis, quais sejam: trabalho, mulheres, família e reprodução social. A pesquisa consiste no levantamento da produção científica clássica e contemporânea com vistas à formulação de um estudo crítico sobre a temática que contribua para colocar em debate os cânones estabelecidos e destaque as contribuições da epistemologia feminista contemporânea.

Palavras-chave: Trabalho. Mulheres. Economia. Reprodução social. Historiografia.

 

Camilla Tássia Barreto Bomfim

Título: História das mulheres: cânones, avanços e demandas contemporâneas

Resumo: Apesar dos muitos avanços nos estudos sobre as mulheres, nota-se ainda a necessidade de superar as concepções essencialistas e a-históricas engendradas nas narrativas sobre o suposto feminino e masculino que negam a condição de sujeitas sociais às mulheres. Neste trabalho, busca-se investigar a História das mulheres como um campo historiográfico, sua constituição e relações com o movimento feminista. Nesta perspectiva, a pesquisa consiste no levantamento da produção científica clássica e contemporânea com vistas à formulação de um balanço crítico sobre a temática que contribua para colocar em debate os cânones estabelecidos, os avanços e demandas contemporâneas.

Palavras-chave: História das Mulheres. Feminismo. Historiografia.

 

Gabriel Barbosa Vieira Silva

Título: A Teoria da Reprodução Social: contribuições para a História das Mulheres

Resumo: Há que destacar os muitos óbices enfrentados pelas pesquisadoras e pesquisadores para desenvolver estudos qualificados sobre as mulheres. É preciso considerar que por milênios a produção do conhecimento foi domínio dos homens. A natureza dos registros oficiais, a negação das mulheres nos espaços públicos, a misoginia e o machismo gramatical são algumas expressões da forma patriarcal que explicam o apagamento das figuras femininas. Onde elas aparecem, de modo geral, são disforizadas. As restrições ao letramento também contribuiuram para a formulação de um silêncio ensurdecedor sobre aquelas que sempre estiveram presentes na reprodução social da vida. Ainda hoje, a epistemologia feminista é colocada num lugar menor no âmbito da produção científica, evidenciando a distância entre a teoria e a práxis no espaço acadêmico. Compreendendo que não podemos rejeitar um conceito a priori, simplesmente porque ele não é decorrente da “cultura histórica” investigada, esta pesquisa dedica-se a estudar a Teoria da Reprodução Social (TRS) e como suas categorias de análise podem contribuir com a produção do conhecimento sobre a agência das mulheres em distintas temporalidades. A pesquisa consiste no levantamento da produção científica clássica e contemporânea, seleção e análise dos dados.

Palavras-chave: Mulheres. Teoria da Reprodução Social. Historiografia

 

Iago Moreira Silva

Título: Para além dos muros das paróquias: uma análise sobre a resistência campesina na hispânia visigótica entre os séculos VII – VIII.

Resumo: O presente projeto de pesquisa objetiva analisar como a resistência campesina, aliada aos limites da conversão impostos pela distância geográfica entre o campo e a paróquia, influenciaram nas insubordinações ao processo de cristianização na Hispânia durante os séculos VII -VIII. Para alcançar esse objetivo é necessário compreender o papel da Igreja Cristã como ideologia de legitimação da monarquia e na manutenção das estruturas de poder dominantes. Além disso, investigar de que maneira as leis visigóticas, especialmente a Lex Visigothorum, refletiam e reforçavam as tentativas de controle e doutrinação do campesinato é crucial para entender o contexto histórico. Finalmente, examinar as múltiplas faces da insubordinação e resistência campesina na Hispânia entre os séculos VII – VIII permite uma visão abrangente dos desafios enfrentados.

Palavras-chave: Hispânia Visigótica. Campesinato. Resistência. Lex Visigothorum. Ideologia.

 

Iverson de Jesus Simões

Título: A igreja, os libertos e a violência institucional na alta Idade Média.

Resumo: O presente trabalho busca analisar o processo de assentamento de escravos em lotes de terras na Hispânia Visigótica, considerando-o como uma das vias de constituição
de umas classes fundamentais do período: o campesinato liberto. Em virtude do tempo disposto para o estudo, analisaremos as atas dos Concílios de Toledo IV (633), V (636) e VI (638), do primeiro sob o reinado de Sisenando (631+636) e os dois últimos de Chintila (636-640). A partir do III concílio de Toledo, ocorrido em 589, as assembleias passaram a discutir não só assuntos eclesiásticos, mas também políticos, devido à conversão do rei Recaredo ao Cristianismo. Para análise das fontes, vinculamo-nos ao materialismo histórico e dialético. Outrossim, a análise das atas conciliares dos IV, V, VI Concílios de Toledo permitem visualizar como a liberação da força de trabalho escrava e o esforço da aristocracia eclesiástica para fixar os dependentes à terra insere-se no quadro da violência institucionalizada. O Estado Visigótico articulava as relações de dependência social e de subordinação, ao passo em que era reforçado por elas, em uma dinâmica permeada por conflitos e alianças que passam por dentro dos espaços dos concílios, reforçando a dominação da aristocracia eclesiástica ao mesmo tempo em que limita os poderes individuais.

Palavras-chave: Igreja Cristã. Libertos. Violência. Alta Idade Média.

 

Julie Evilin Lopes Donato

Título: Quem tem medo do gênero?” O estado da questão no século XXI; 

Resumo: A partir das provocações impostas pela realidade, observa-se que os estudos sobre gênero conquistaram importante espaço no meio acadêmico no início do século XXI e se consolidaram como campo de pesquisa em diversas áreas do conhecimento. É importante lembrar que tais estudos foram motivados pela atuação de grupos sociais considerados disruptivos, organizados nos movimentos feministas e LGBTQIAPN+, em suas mais distintas correntes políticas e matizes teóricas. Ainda hoje, o debate sobre gênero produz polêmica e muitas vezes é colocado num lugar menor no âmbito da produção científica, evidenciando a distância entre a “palavra e a coisa”, entre a teoria e a práxis no espaço acadêmico. Compreendendo que não se pode negar um conceito simplesmente porque ele não é decorrente da “cultura histórica” investigada, esta pesquisa se propõe a pensar “Gênero”, enquanto categoria de análise e fenômeno histórico, com o propósito de identificar as distintas correntes de pensamento que se debruçaram sobre a temática e formular um balanço comparativo entre as interpretações. A pesquisa consiste no levantamento da produção científica clássica e contemporânea, seleção e análise dos dados.

Palavras-chave: história das mulheres. gênero. feminismo. 

 

Maria Letícia Ferreira da Silva Soares

Título: História da interiorização da assistência na Bahia: Saúde, patrimônio e ensino de história (1889-1960); 

Resumo: O presente projeto de pesquisa tem como objetivo pesquisar as instituições de assistência à saúde no interior da Bahia no período republicano brasileiro e seu patrimônio arquitetônico e cultural como espaços de memórias a serem trabalhados em sala de aula no ensino fundamental e médio de História. Para tanto, buscaremos mapear as instituições de assistência em algumas cidades do interior da Bahia, inventariá-las e estabelecer relação dessas com a aprendizagem significativa da disciplina de História no ensino fundamental e médio.

Palavras-chave: Patrimônio, Assistência, Ensino, Saúde. 

 

2022-2023

Luzia Beatriz Ramos Alves

Título: Patrimônio da saúde de Vitória da Conquista e ensino de História

Resumo: O presente trabalho tem como objetivo pesquisar as instituições de assistência à saúde no interior da Bahia no período republicano e seu patrimônio arquitetônico e cultural como espaços de memórias a serem trabalhados em sala de aula no ensino fundamental e médio de História. Para tanto, buscaremos mapear as instituições de assistência em Vitória da Conquista, cidade do interior da Bahia, inventariá-las e estabelecer relação dessas com a aprendizagem significativa da disciplina de História no ensino fundamental e médio. No entanto, em função do contexto pandêmico, iniciamos a pesquisa com o mapeamento dos topônimos da área médica da cidade, relacionando-os com a atuação de médicos da Santa Casa de Misericórdia, a fim de contribuir para o ensino de História na Educação Básica. Do ponto de vista metodológico, foram realizadas leituras da bibliografia sobre o tema da memória, do monumento e do patrimônio, além da educação patrimonial e ensino de história. A partir do conjunto das leituras e das discussões da bibliografia, definimos o estabelecimento da construção de uma aula de campo para ser desenvolvido pelos professores com os/as discentes, a partir do patrimônio ligado às instituições e personagens ligadas à história da saúde no município. Inicialmente, produzimos uma série de verbetes com análises produzidas em nossas pesquisas ao longo dos últimos anos sobre a história das instituições de saúde, das doenças e das personagens na cidade de Vitória da Conquista, para que sejam trabalhados em sala de aula com os/as discentes. Após um maior aprofundamento do tema, o/a professor/a fará uma aula de campo, através de um itinerário proposto pela nossa pesquisa, levantando perguntas para serem problematizadas ao longo da aula. A proposta é que os/as discentes conheçam o centro da cidade a partir do recorte da saúde e das doenças que povoaram a cidade e a modificaram de diversas maneiras. Para isso, serão visitados o Memorial Régis Pacheco, o Museu Regional/Casa Henriqueta Prates, o Hospital São Vicente de Paulo/Santa Casa de Misericórdia e o Cemitério da Saudade. Buscaremos, nos espaços museais, preparar os/as discentes para questionar como se dá a disposição dos objetos, que história conta, quais memórias preservam e transmitem e quais silenciam, pois o museu, enquanto lugar de produção do conhecimento, mesmo nas ausências, transmite narrativas que, se problematizadas, possibilitam uma via de reflexão mais ampla para pensar o lugar da diferença e da diversidade, mobilizar saberes e desnaturalizar a percepção de uma história única, oficial, para dar lugar a muitas histórias silenciadas e subalternizadas. Ao final, a proposta é que os estudantes consigam construir um pensamento histórico acerca da historicização da saúde e das doenças na cidade, das mudanças da saúde como caridade até se tornar um direito coletivo e um dever do Estado. A nossa proposta, além disto, foi a de publicizar todo o material construído ao longo da pesquisa em rede social e mediar o acesso do conhecimento amplamente, através de uma página no Instagram intitulada @historiadasaude.vconquista. A proposta é que os discentes conheçam e se apropriem de espaços da cidade, o itinerário seguiria o centro da cidade baseado na história da saúde e das doenças que habitaram a cidade e a transformaram.

Palavras-chave: história da saúde. Vitória da Conquista. ensino de história.

 

2021-2022

Luzia Beatriz Ramos Alves

Título: Assistência à saúde materno-infantil em Vitória da Conquista: a Legião Brasileira de Assistência na Bahia (1948-1949)

Resumo: O presente trabalho busca investigar como se deu a constituição da Legião Brasileira de Assistência (LBA) na cidade de Vitória da Conquista, interior baiano, na década de 1940 e de que maneira essa instituição atuou na cidade, a partir de uma política explícita de assistência à saúde materno-infantil, implementada em todo o país. A LBA, apesar de ter sido fundada em 1942 pela primeira dama Darcy Vargas, para prestar assistência às famílias cujos homens foram como soldados para a Segunda Guerra Mundial, durante e após o conflito a mesma se consolidou no processo de institucionalização do serviço social. Em dezenas de município, especializou-se na assistência à saúde infantil, especialmente na puericultura, como foi o caso de Vitória da Conquista. A justificativa do trabalho é que, apesar da amplitude dessa instituição e da sua capacidade organizativa e de interferência nas políticas de saúde no país, inexistem trabalhos histórico-historiográficos sobre a mesma na Bahia e na cidade A pesquisa busca responder quais os motivos dessa escolha pelo público infantil, quem eram os agentes que prestavam a assistência e como ela se engajou nos trabalhos assistenciais já desenvolvidos na cidade, como foi a Santa Casa de Misericórdia, fundada na cidade em 1915 e que já tinha um hospital de caráter caritativo-filantrópico em funcionamento no período. Os boletins da Legião Brasileira de Assistência na Bahia, que circularam entre 1948 e 1949, é a documentação principal para responder algumas questões, como por exemplo se houve a participação voluntária feminina na cidade como legionárias, característica marcante da LBA, e quais foram os papéis atribuídos a mulheres e homens nessa organização. A proteção à maternidade e à infância, com base no conhecimento médico-científico, tornaram-se uma das questões sociais mais importantes para o Estado, que precisava controlar a natalidade e forjar força de trabalho forte e sadia para a estruturação de um modelo econômico capitalista cada vez mais profundo no país, com o Estado atuando na formação e disponibilidade da classe trabalhadora para o trabalho. Conquista não fugiu à regra, quando passou a compor, junto a outros municípios, a rede de funcionamento da LBA na Bahia e no Brasil, com interferência legitimada pelo Estado dos médicos no cuidado materno-infantil e com forte ideologia patriarcal, de controle e domínio sobre mulheres e crianças.

Palavras-chave: Relações de gênero; Saúde materno-infantil; Legião Brasileira de Assistência; história da saúde; Vitória da Conquista.

 

2020-2021

Luzia Beatriz Ramos Alves

Título: A  produção historiográfica brasileira sobre as mulheres romanas na Antiguidade:  um balanço dos anos 2000 a 2020

Resumo: A pesquisa sobre as mulheres se estabeleceu como um campo reconhecido na disciplina histórica a partir da segunda metade do século XX. No entanto, a despeito dos avanços nessa área, especificamente no que se refere as mulheres na Antiguidade, nota-se nas produções ainda o predomínio de modelos patriarcais para analisá-las. Dessa forma, o trabalho em questão – financiado pelo órgão de fomento à pesquisa CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) – visa compreender as mulheres no Império Romano entre séculos IV e V d.C., as relações sociais de sexo que permeiam a sociabilidade desses sujeitos históricos, bem como a contribuição da Igreja Cristã na formulação de condutas normativas que se perpetuam no mundo contemporâneo e reforçam o regime patriarcal. A pesquisa está balizada pelo Materialismo Histórico e Dialético, aliado ao método isotópico de leitura imanente da documentação. A primeira etapa consiste na formulação de um balanço da produção historiográfica brasileira sobre a temática, entre os anos 2000 a 2020, a partir do levantamento de dados coletados nos periódicos nacionais especializados, com classificação de A1 à B5, disponíveis na Plataforma Sucupira. A segunda etapa reside no trabalho com a documentação primária impressa. Neste painel, objetiva-se apresentar os dados já levantados de modo a discutir os temas, abordagem teórico-metodológica e categorias conceituais predominantes nos artigos, a natureza das fontes utilizadas e sua influência na construção de uma imagem idealizada e/ou estigmatizada das mulheres, além de problematizar a concentração das publicações em determinadas regiões e universidades do Brasil. Por fim, essa pesquisa tem como propósito contribuir com a produção de um conhecimento consistente sobre os processos histórico que reforçaram a ideia da inferioridade feminina e a naturalização dos papéis sociais correspondentes a essa condição.

Palavras-chave: Império Romano. Igreja cristã. Regime Patriarcal. Mulheres. Historiografia brasileira.

 

2019-2020

Luzia Beatriz Ramos Alves

Título: As mulheres romanas entre a censura e a apologia: o ideal de feminilidade no discurso de intelectuais pagãos e cristãos nos séculos IV e V d.C.

Resumo: O Império Romano, entre os séculos IV e V d.C., passou por um conjunto de transformações que promoveu a estruturação do Dominato, a constituição da basileia e o cristianismo como religião oficial do Império, bem como a difusão de valores e símbolos balizados pelo novo credo. A partir deste processo histórico, o presente artigo objetiva discutir como intelectuais vinculados à tradição pagã ou cristianizados, utilizando a apologia e a censura ao comportamento das mulheres por eles descritas, contribuíram para formular e projetar um ideal de feminilidade que ainda repercute no mundo contemporâneo.  Esta análise também evidencia como a Igreja cristã reforçou o regime patriarcal por meio da valorização da castidade, subserviência e inferioridade feminina.  O corpus desta pesquisa é constituído por duas fontes, Dos bens da viuvez: cartas a Proba e a Juliana de Agostinho de Hipona e Elogio à Imperatriz Eusebia de Juliano, e será examinado com o auxílio das premissas teóricas e metodológicas de Mikhail Bakhtin, Antonio Gramsci e Heleieth Saffioti.

Palavras-chave: Mulheres. Feminilidade. Regime patriarcal. Intelectuais. Império Romano. Igreja cristã.

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