A linha de pesquisa “Relações étnico raciais na formação social brasileira” buscará promover espaços de formação na Universidade sobre a realidade da população negra na particularidade brasileira, considerando a origem africana e latina das lutas por liberdade. Tomando o materialismo histórico como método de investigação, a linha de pesquisa buscará interlocução com as experiências de formação e resistência nos quilombos, terreiros, nas rodas de capoeira, no reisado, romarias, bem como junto ao samba e todas as manifestações culturais negras, considerando estes espaços como lugar de denúncia e resistência que moldam o modo de vida dessa população que se encontra à margem da produção capitalista hegemônica. Também buscará analisar a relação entre literatura e ideologia do branqueamento ao longo da história do país, bem como seu uso como lugar de aquilombamento e registro da experiência vivida de negros e negras. A compreensão do processo histórico de branqueamento da sociedade brasileira e a supremacia branca como ideologia ao longo da história das Américas, será fundamental para a leitura do racismo como arma ideológica de dominação.
Os estudos sobre o golpe de 1964 e a ditadura que se seguiu a ele começaram logo após a conquista do Estado por parte do bloco econômico multinacional e associado (Dreifuss, 1981). No entanto, é a partir dos anos 1990, especialmente durante os aniversários de 40, 50 e 60 anos do golpe, nos anos 2000, que o volume de pesquisa aumentou consideravelmente. Os temas e as formas de abordagem variam bastante, e não há um consenso sobre as razões que levaram ao golpe, como o regime se desenvolveu e como deve ser classificado. Existem distintos referenciais teóricos, períodos de análise e interpretações. Há pesquisas muito bem fundamentadas, com bases sólidas tanto teórica quanto empiricamente, enquanto outras se apoiam em revisionismos frágeis em vários aspectos. Por focar nos elementos que definem o conteúdo social do regime político, entendemos que a forma mais apropriada de caracterizar o golpe e o regime é como “empresarial-militar”, termo cunhado originalmente por René Dreifuss, que comprova, com base em profunda pesquisa documental, que houve uma ação política conjunta e organizada entre empresários e militares, cujo objetivo era o de organizar um projeto de reformulação do Estado e de derrubar o governo reformista de João Goulart. Alinhados a essa perspectiva, em um diálogo contínuo com referências teóricas marxistas de diversos autores, utilizaremos as reflexões do cientista político uruguaio como guias para as análises realizadas nesta linha de pesquisa. Nosso objetivo é fomentar a discussão com base no rigor analítico da dialética materialista, abordando os fundamentos, os agentes sociais, os efeitos e desdobramentos dos golpes empresariais- militares no Brasil e na América Latina, desde a década de 1960. Nossa visão de que esse fenômeno se caracteriza, em grande parte, pelas mudanças no capital e seu conteúdo de classe, não é uma visão hegemônica. Pelo contrário, escolher interpretar as ditaduras da América Latina como classistas e defini-las como empresariais-militares implica mergulhar em um debate historiográfico que é bastante relevante nos dias de hoje, assumindo uma posição que é alvo de críticas por muitos e que não é tão amplamente aceita. Considerando essas bases, esta linha de pesquisa tem por finalidade ampliar o entendimento sobre o debate historiográfico sobre os golpes e as ditaduras brasileira e latino-americanas, em especial sobre o revisionismo nesta temática; analisar as mobilizações e as crises pré-golpes; as relações e alianças empresariais-militares; a atuação do complexo composto por IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e a ESG (Escola Superior de Guerra), assim como a de outros aparelhos privados de hegemonia empresariais transnacionais que tenham atuado na América Latina; a repressão a militares; a participação dos EUA e a relação Brasil-EUA-América Latina durante as ditaduras.
Esta linha de pesquisa busca refletir e debater os conteúdos, formas e expressões que — instrumentalizados nos processos estéticos de dominação (econômica, política, social e cultural), típicos da colonização e do colonialismo — marcaram e ainda marcam o campo das artes visuais e do cinema. Seu objetivo é investigar como as artes na periferia global assimilaram e, por vezes, subverteram os traços das culturas dominantes, posicionando-se em contracorrente às narrativas hegemônicas. Para isso, trabalha-se com uma grande variedade de materiais, como pinturas, gravuras, esculturas, arquitetura, tratados teóricos, poemas, documentos, fotografias, filmes, registros sonoros e peças publicitárias — enfim, tudo que compõe o universo imagético das culturas estéticas periféricas.
Esta linha tem por objetivo abarcar pesquisas que se proponham à análise de sociedades pré-capitalistas, considerando suas dimensões políticas, econômicas e culturais, articuladas a partir da diversidade de seus processos, relações, práticas e ideologias. O recorte proposto pretende-se amplo, pois não recorre a um período ou espacialidade específica, mas ao estudo das formas de organização humana que antecederam o capitalismo enquanto modo de produção dominante. Desta forma, busca-se promover a constante reflexão sobre a abordagem do materialismo histórico, suas categorias e conceitos, para o estudo das sociedades pré-capitalistas, incluindo os debates sobre a transição, assim como a análise comparativa entre diferentes formas históricas de sociedade, a fim de reconhecer a existência de alternativas e construir a necessária superação do modo capitalista de produção.
Pesquisas que envolvam as temáticas da história das crianças e dos
adolescentes a partir das categorias de gênero, raça/etnicidade, classes sociais, que
constituem eixos estruturantes da sociedade, através das instituições como a família, a
escola, o hospital/maternidade, seus espaços, tempos e agentes, bem como as
problemáticas voltadas ao trabalho infantil, aos processos de institucionalização da
infância pauperizada e as políticas públicas para a infância, com o aporte teóricometodológico.
Os óbices para os estudos sobre as mulheres na História do Ocidente são de distintas ordens, mas todos eles vinculados ao domínio masculino, legitimado pela tradição judaico-cristã, pelo pensamento filosófico desenvolvido no mundo Greco-romano e pelo saber científico produzido na modernidade iluminista. Estes campos surgiram dentro de sociedades patriarcais, onde o direito do homem à propriedade e as prerrogativas sobre os lugares de poder e decisão foram estruturados em direta relação com os modos de produção e reprodução econômico-social da vida. Aqui não há espaço para formular sobre a historicidade das assimetrias entre os gêneros e o constructo da inferioridade feminina, mas tal constatação é imprescindível à compreensão da invisibilidade das mulheres nos processos humanos, majoritariamente narrados por homens numa gramática heterossexista que emprega o pronome masculino para um sujeito universal inexistente. Pois bem, essa condição histórica não foi o suficiente para impedir o avanço da epistemologia feminista e o imperativo de localizar as mulheres enquanto sujeitas nas distintas formações ocidentais. Observada essas determinações, esta linha de pesquisa tem por finalidade ampliar a compreensão sobre a Epistemologia Feminista Contemporânea e pautar sua aplicação à produção do conhecimento sobre mulheres, gênero, sexualidade, questões étnico-raciais, feminismo, trabalho, classes sociais e ideologia em distintos espaços e temporalidades. A Teoria da Reprodução Social, formulada no campo ideo-teórico das feministas marxistas, baliza as investigações transdisciplinares desenvolvidas no âmbito desta linha e seu diálogo com as epistemologias negras e o pensamento afro-latino-americano ensejado pelas lutas anticolonialistas. De tal forma, os estudos privilegiam a articulação entre práxis insurgentes e interpretações não eurocêntricas.
A linha de pesquisa objetiva a análise crítica das contradições
socioespaciais específicas do sistema do capital. Para isso, propõe: analisar a produção
do espaço enquanto instância social, histórica e processual a partir dos pressupostos do
materialismo histórico e dialético; investigar a organização do espaço enquanto
dimensão concreta por onde o sistema de produção e acumulação do capital promove
as condições para sua reprodução, além de analisar os conflitos territoriais no campo e
na cidade.
O eixo central da linha é o Materialismo Histórico e Dialético e as
problemáticas teóricas que, neste campo, se relacionam com o desenvolvimento de
estudos e pesquisas sobre Estado, Teoria Política e Classes Sociais, em seus
aspectos específicos e em suas relações necessárias.